Tarefa do dia: ler artigo de Juan Gargurevich

Na procura por informações sobre o jornalismo no Peru, encontrei um artigo excelente do jornalista e profundo conhecedor da história do jornalismo peruano Juan Gargurevich, publicado em 30 de abril de 2001 no saladeprensa.org.

Jornalista Juan Gargurevich

O texto, intitulado “Qué periodismo y cómo enseñarlo: una reflexión urgente“, traz um panorama do jornalismo no Peru e faz todo o questionamento sobre o ensino da profissão, quais matérias deveriam ser abordadas, compara com o ensino em outros países da América Latina, usa tabelas e porcentagens e lista cerca de 30 universidades do país onde é possível fazer o curso.

O trecho Tres modelos básicos latinoamericanos e Los reproches a la enseñanza del periodismo são mais interessantes, e por isso gostaria de destacá-los.

No primeiro, Gargurevich fala da ideia do professor chileno Héctor Vega de transdisciplinaridade, o que resultaria em três modelos de ensino de comunicação:

– humanista ou culturalista: o melhor comunicador seria aquele que é mais culto, portanto o curso voltaria-se para as ciencias humanas e sociais.

– prático profissional: ênfase na questão prática da profissão, com foco na capacitação útil.

– comunicacional: vê o jornalismo como uma das variantes da comunicação e portanto abrangeria vários aspectos e assuntos durante a formação para depois focar em uma especialidade – jornalismo, no caso.

Através desses modelos, o autor classifica a tendência de algumas faculdades peruanas em relação a eles – informação ótima para quem pretende estudar o curso no Peru, podendo ter uma ideia do perfil da universidade que gostaria de estudar.

Escritor e jornalista Gabriel García Marquéz

Já na parte Los reproches a la enseñanza del periodismo são as opiniões de Gabriel García Márquez dadas na assembléia da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) de 1996 que chamam atenção. Sobre o ensino do jornalismo, o escritor e jornalista colombiano aponta algumas defasagens dos graduados, como problemas de ortografia e dificuldade de compreensão de texto.

Para ele, a formação jornalística deveria se sustentar em três pilares:

– prioridade para a aptidão e vocação

– compreensão de que a investigação é fundamental à profissão

– a importância da ética, que deve estar presente todos os momentos.

É a partir dessas críticas e outras sugestões de García Márquez que se cria a Fundación para un Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), em 1994 – já citado no blog da Denise Eloy (ela conta um pouco mais da Fundação em seu post).

Ainda que o artigo já tenha 10 anos, ele permanece atual à medida que essas reflexões propostas no texto ainda não foram totalmente solucionadas. E também acredito que elas são muito pertinentes para pensar o ensino brasileiro do jornalismo.

A Hecatombe Mexicana

É esse o título que introduz os vídeos sobre os ataques sofridos pelos jornalistas no México no webdocumentário Au Couer de la Censure (No Coração da Censura, tradução livre), da organização Repórteres sem Fronteiras.

Webdocumentário produzido pela RSF sobre liberdade de imprensa

 

 

 

 

 

 

 

 

O vídeo procura discutir a liberdade de imprensa e a censura em cinco partes do mundo: México, Rússia, China, Congo e Irã.

A parte do México conta os casos emblemáticos do desaparecimento do jornalista Alfredo Jímenez Mota, a perseguição sofrida pela Lydia Cacho, e os assassinatos de Francisco Javier Ortiz Franco e Brad Will.

Aumento da violência contra jornalistas

De acordo com a Federación de Asociaciones de Periodistas Mexicanos (FAPERMEX), foram assassinados 11 jornalistas só no primeiro semestre de 2011. A violência contra a imprensa no país tem aumentado desde a subida de Felipe Calderón ao poder, em 2006, que emprega uma política rígida contra os cartéis mexicanos. É por causa dessa violência relacionada com as drogas que o México é considerado hoje um dos países mais perigosos para os jornalistas, de acordo com uma pesquisa do Committee to Protect Journalists (CPJ).

Não são só os reporteres dos jornais as vítimas dessa violência. Blogueiros e ativistas que tem utilizado as redes sociais para expor a sua indignação com os cartéis também tem sofrido ameaças. É o que parece ser o caso de Nuevo Laredo, onde no dia 13 de setembro foram encontrados dois corpos não-identificados com recados que advertiam sobre escrever em sites.

A indignação aumenta entre a população porque a grande maioria dos casos não está sendo investigada ou punida.

Com informações do knightcenter.utexas.edu e cpj.org

ps: Hecatombe, s. f. Antigo sacrifício de cem bois; [p. ext.] sacrifício de muitas vítimas: [fig.] matança humana.

Minidicionário da Língua Portuguesa, Silveira Bueno, Editora FTP

Estudos sobre jornalismo no Chile

Para quem pretende saber um pouco, aliás, muito mais sobre o jornalismo no Chile, uma ótima fonte é o site Periodistas & Comunicadores de Chile.

Home do site Periodistas & Comunicadores de Chile, com as abas que explicam todo o projeto

É o site oficial do projeto de investigação “Estudio comparativo de la realidad de los profesionales de la comunicación en las regiones II, VIII, IX y Metropolitana de Chile: ordenamiento geopolítico, lógicas productivas y mediación social”, realizado em conjunto pela Universidad de Santiago, Universidad Católica del Norte, Universidad de Chile e Universidad de la Frontera.

O projeto está todo explicado no site, em abas que indicam os objetivos, cronograma, metodología e investigadores. As publicações e pesquisas já feitas estão todas para download e dá para encontrar artigos sobre mercado de trabalho, oferta acadêmica, evolução do campo educacional e ocupacional do jornalismo, estrutura do emprego jornalístico etc.

Achei bem interessante, principalmente porque deixa disponível na rede as suas descobertas para todo mundo. Desconheço algum projeto sobre o jornalismo brasileiro nesses moldes. Mas vale dar uma olhada nos blogs do grupo Brasil, linkados aqui ao lado direito.

Na Bolívia, só é jornalista quem tem diploma

Em contrapartida com a Argentina, na Bolívia o Estatuto Orgánico del Periodista, decretado em 1984, só considera jornalista profissional quem cursou comunicação. O trecho que se refere ao assunto está no artículo 7º do Capítulo II Título en Provisión Nacional (grifos meus):

“Se reconoce el título de periodista profesional en Provisión Nacional a
quienes hayan obtenido el título académico de Licenciado o Técnico Superior en Ciencias de la
comunicación de la Universidad y a quienes por su antigüedad y capacidad comprobadas en el
ejercicio de las actividades periodísticas, soliciten la otorgación del título conforme a
reglamento.”

No artículo 8º, o texto se refere aos títulos obtidos em universidades do exterior. Esses teriam validade se passados em uma prévia revalidação legal ou estivessem de acordo com convênios internacionais.

O Estatuto ainda reforça a obrigatoriedade com os artículos do Capítulo VIII Ejercicio Ilegal del Periodismo:

“ARTÍCULO 31º. Se considera ilegal la actividad periodística, cuando está ejercida por persona que no posee el título en Provisión Nacional de Periodista.
ARTÍCULO 32º. Las personas que se atribuyen la condición de periodistas, sin cumplir los
requisitos legales correspondientes, serán sancionados y procesados d acuerdo a los Códigos
Penal y de Procedimiento Penal.”

Parece rígido. Mas em 2009, o então presidente da Asociación de Periodistas de La Paz (APLP), Ronald Grebe, explicou a agência Efe que essa lei “não se cumpre” e foi praticamente esquecido, sem projetos ou movimentos a favor de que se cumpra ou seja excluído.

Com informações de noticias24.com

Você sabia que…

…na Argentina, não é preciso ter diploma de Jornalismo ou Comunicação Social para ser considerado jornalista? Aliás, não é preciso ter qualquer diploma universitário se quer.

O artigo 2 das Disposições Gerais da Lei 12.908 Estatuto del Periodista Profesional define (grifos meus):

“Se consideran periodistas profesionales, a los fines de la presente ley, las personas que realicen en forma regular, mediante retribución pecuniaria, las tareas que les son propias en publicaciones diarios, o periódicos, y agencias noticiosas. Tales el director, codirector, subdirector, jefe de redacción, secretario general, secretario de redacción, pro-secretario de redacción, jefe de noticias, editorialista, corresponsal, redactor, cronista, reportero, dibujante, traductor, corrector de pruebas, reportero gráfico, archivero y colaborador permanente. Se incluyen las empresas radiotelefónicas, cinematográficas o de televisión que propalen, exhiban o televisen informativos o noticias de carácter periodístico, y únicamente con respecto al personal ocupado en estas tareas. (…) Quedan excluidos de esta ley los agentes o corredores de publicidad y los colaboradores accidentales o extraños a la profesión.

No se consideran periodistas profesionales los que intervengan en la redacción de diarios, periódicos o revistas con fines de propaganda ideológica, política 0 gremial, sin percibir sueldos.”

É interessante que o tradutor e o desenhista (dibujante) também são, como definido no texto acima, considerados jornalistas profissionais. O estatuto todo está disponível no site da Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa (FATPREN).